O trabalho e os vícios* dos treinadores de tênis no Brasil Open (2)

Dando sequência a postagem sobre alguns treinadores do circuito, que eu decidi destacar durante o Brasil Open…

ferrer

Esse gif é necessariamente tudo o que eu seria se estivesse na pele destes fulanos, digo, treinadores.

Por ser uma pessoa hiperativa eu ficaria num box como o David Ferrer, mas sei que não sou a única.

Vamos começar o post pelo Zakopalovo (Sim, se eu fosse mais lógica e quisesse demonstrar meu grau de cultura teria o apelidado de Zakopalov, mas vamos lembrar que sou eu quem dá os apelidos).

Zakopalovo é o apelido do Diego Junqueira. Por que do apelido? Simples, ele parece o treinador da Klara Zakopalova: não para de falar na orelha do seu pupilo, Juan Mónaco, em nenhum minuto.

Vocês se lembram do comportamento do Igor Brukner no Rio Open em que o microfone da Sportv pegou todo o áudio dele, mas a gente não entendeu, LÓGICO!

Então, o Diego é assim. Juan Mónaco perdendo o jogo: “Vamos Pico, não desanima. Próxima bola. Próxima bola”. Aí o Juan acerta uma bola: “Grande Pico! Assim. Mais uma, quero ver mais uma”. Aí o Pico tem 0/30 no saque do adversário: “Concentra na próxima bola”. Juan fez uma m… “Levanta a cabeça. Vamos!!!”

Diego Junqueira até o chão...

Diego Junqueira até o chão…

A palavra favorita do Zakopalovo é: “Pico”. Ele apenas desatina a falar “Pico, Pico, Pico, Pico” e só alterna com “la pelota”. Ouvindo sem pegar o contexto, só ouvindo, soa MUITO estranho.

Claro que jogando na Central o treinador falando o tempo todo não é algo que deva verdadeiramente incomodar o Mónaco, mas quando o local é como a quadra um, onde o Mónaco jogou duplas algumas vezes com o Maximo (Machi) Gonzalez me incomodaria se estivesse em quadra. Parece que o Pico não gosta mesmo de bêbados. – Não o julgo, eu também não gosto e não dou papo.

O treino deles é um playground. Eles são muito amigos, ao que me pareceu, então tudo é feito num clima leve, com muita risada, piadinha, mas trabalho sério, lógico.

Se falar incomoda, esse nunca será o problema de Thomaz Bellucci. Vamos falar do “Mr. Alubia“…

Eu não fui muito criativa no apelido para Francisco Clavet, que já tem um codinome, Pato, mas que me lembrou o Mr.Bean e como ele é espanhol de Aranjuez,, nada mais justo que chamá-lo de Alubia,

Pato Clavet é silencioso e gestual. Não curte muito o momento Zakopalovo de ser….

pato

Não pense você que Clavet faz a “passivona” (como diz um amigo meu, rs), mas Mr.Alubia deixa o exageros gestuais e verbais pro André, o preparador físico do Thomaz. Esse sim, gosta de vibrar, falar e dar gritos de incentivo.

Só que eu não quero falar do André, voltemos ao Clavet. Pato é tranquilão, é tão calmo que no jogo do Bellucci contra o Federico Delbonis eu quase cai da cadeira quando reparei que o Clavet já estava falando sem parar há mais de um minutos. Continuei a observar e “blá blá blá” do espanhol seguiu do sexto game do primeiro set até o quinto ou sexto do segundo.

A reação dele foi tão absurda, pra mim, que até perguntei pro Thomaz na coletiva sobre. Bellucci saiu com humor da situação dizendo: “Eu nem vi que ele tava falando, mas também nem ia adiantar, 90% do que ele fala eu não entendo”, arrancando risos de todo mundo. O Thomaz completou dizendo entender que o Clavet estava angustiado porque ele não estava jogando bem e além de ver isso, o treinador sabia que ele podia mais e ainda sabia o que Bellucci deveria fazer para sair daquela situação.

Depois do caso passado, o Pato me explicou que estava pontuando os erros do Bellucci, o que é comum no circuito. (Sabemos que sim e também conhecemos as regras.)

Já antes desta situação, o Clavet me confirmou que é um cara naturalmente calmo e que como a regra da ATP “não permite conversa entre treinadores e atletas”, não adianta muito ele ficar chamando a atenção do Bellucci ou quem quer que seja. “Pode tirar a atenção do atleta. Imagina você ali pensando, se ele sacar assim eu tenho que defender assim e vem alguém e corta seu pensamento falando uma coisa completamente diferente? Ruim, né? Não quero que seja ruim”,  me comentou.

O que não fala em jogo, Pato fala em treino.

Pelo jeito o “tagarelar” do Mr.Alubia tem dado muito efeito, melhora de 167% no backhand do Thomaz. OBRIGADA PATO!

Foco, Ariane…

O Pato observa e gosta de bater bola com o seu pupilo. Tem um diferencial que ele também assessora outras carreiras, não em tempo integral, então acaba que os jogadores trocam experiências e conhecimentos de uma maneira diferente como se dividissem os treinos com outros corpos técnicos.

Às vezes baixa o Martín Vassallo Argüello nele e o Clavet simplesmente pega a raquete e começa a mostrar “você está fazendo assim, tenta fazer ‘assado'”. Em uma técnica meio Felipão.

Falando em Luis Felipe Scolari, acho, apenas acho, que o Clavet é também Mr. Vestiário, aquele treinador que motiva até o grip do tenista para uma partida. Jamais nos esqueçamos que ele levou Santiago Giraldo ao posto de 39º da ATP e o Feliciano López (o mais desmiolado de TODOS) a 15º.

Da água pro vinho, mas ainda na Espanha. Eu o chamo de “Coringa!“…

Simplesmente adoro essa foto...

Simplesmente adoro essa foto…

Samuel López, grande treinador espanhol, um dos idealizadores do modelo de formação da academia do Juan Carlos Ferrero, a Equelite, trabalhou com a Maria Sharapova, Justine Henin, Ferrero, David Ferrer, mais um monte de gente e há dois anos está viajando o circuito com o Nicolas Almagro.

Por que Coringa? Porque ele é pau pra toda obra, conhece mais dos adversários que qualquer um possa imaginar e porque é muito engraçado.

Samuel está para mim, como Coringa na graça e simpatia. – Sim eu acho o Coringa, vilão, um máximo. (risos)

López é tranquilão como o Clavet, mas fala coisa de 60% a mais ,sem dúvida. E outra, gosta de se fazer de Diego Dinomo (o treinador do Guillermo Garcia López), e curte treino em dois períodos (Muricy – isso porque o Nico não joga duplas), gosta de alternar os trabalhos físicos e está praticamente a todos os instantes com seu jogador.

Tirando a parte burocrática do cargo, Samuel é muito divertido, barulhento e acessível. – Ele não gosta de dar entrevista, o que pra mim é uma lástima.

Entretanto, o vi dar dicas de grip pra um menino que perguntou, para outro, que assistia ao treino do Almagro, ele explicou a dinâmica do saque do Nico, dentre outras coisas…

Em jogo, bom… nem adianta ele estar lá. Nicolas simplesmente IGNORA toda e qualquer observação, principalmente se está perdendo. (risos)

Samuel é de falar bem pouco, normalmente diz algo quando o saque do Almagro está perto de onde está, mas é do tipo “apoiador” e isso tem um bom efeito sobre o espanhol, pelo que reparei. Almagro busca o olhar de aprovação do Samuel. (acho fofo =P)

Ficou grande os dois textos e eu nem falei do Orsanic e do Marcos Daniel =(

Espero que vocês tenham gostado.

Ariane Ferreira

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