O trabalho e os vícios* dos treinadores de tênis no Brasil Open

Vamos falar dos treinadores de tênis do Brasil Open. Mas lógico, não falaremos o óbvio, isso a TV mostra.

Toda vez que eu digo  “treinadores no Brasil Open” o que me vem à cabeça é isso aí ó:

jcfPor motivos de … bom, deixa pra lá!

Sou daquelas pessoas que quando vai a um jogo, uma competição qualquer, busco não apenas observar o atleta em ação em si.

Como eu sei que o entorno é muito importante, que a torcida interfere, e principalmente a equipe interfere, tendo a observar treinadores, preparadores físicos, nutricionista, família, psicólogo e o que mais tiver ali como “suporte”.

Por isto, observei e conversei com os treinadores dos principais nomes do torneio brasileiro. Vem comigo nessa viagem bem louca.

Como maneira de me orientar, dei a cada um deles um apelido, vou começar pelo “Arroz de festa“.

Guillermo Garcia López, Louis Friel e Diego Dinomo - Na Nova Zelândia

Guillermo Garcia López, Louis Friel e Diego Dinomo – Na Nova Zelândia

Esse é o apelido “carinhoso” que eu dei para Diego Dinomo. O Diego é o jovem treinador do Guillermo Garcia López e é uma pessoa “muy loca”, no bom sentido é lógico. Ele é tão boa praça quanto o próprio Guillermo e além de colocar o “pupilo” pra treinar e muito, ele é festeiro e observador.

Festeiro porque Diego adora fazer uma graça, mesmo que ninguém entenda qualquer coisa que ele está dizendo, ele faz piada com segurança, com pessoal da faxina, dos estandes…. todo mundo mesmo. Até comigo.

O primeiro contato que tive com ele foi meio embaraçoso, fui trabalhar de vestido (minha peça de roupa favorita), mas o vento resolveu fazer redemoinho.  Estava eu lutando para manter minha saia no lugar no meio do estacionamento do Ibirapuera  e escuto em bom espanhol alicantino: “Segura… se a saia ficar, o vento te leva!” (Tadinho, o vento não me carrega, eu engano bem, mas estou acima do peso).

Ali, foi minha primeira conversa com ele, já o tinha observado nos treinos do Guille, então, tinha uma porrada de perguntas. (Hastag #Jornalista Sendo Jornalista)

Neste papo, confirmei minha primeira impressão de que ele é observador ao extremo. Havia percebido que em um dos treinos do GGL ele falou pouquíssimo e no turno da tarde ele consertou um posicionamento de pé que o Guille estava usando pra bater o backhand, mas estava modificado por conta de um inchaço no joelho e o fazia errar muitas bolas. GGL estava “entrando errado na bola” me explicou.

Diego gosta de assistir jogos, como a maioria dos treinadores (vide Daniel Orsanic) e busca nos rivais qualidades para melhorar o trabalho do seu atleta. Durante os jogos do Garcia-López ele fala bem pouco, quando se comunica é sempre por gestos de incentivos e não o vi fazer um sinal qualquer de reprovação.

Uma cena engraçada que aconteceu com ele em quadra foi uma briga insana que ele teve com um dos seguranças. Diego queria atravessa a quadra central para do outro lado fotografar a premiação, mas ninguém deixou. Depois um dos meninos da organização levou ele pra quadra pra fazer a foto. (chorei de rir – até porque na hora da confusão dele eu estava no telefone com uma pessoa que estava tentando ajudar, foi hilário. Sem contar que eu estou meio cegueta e lá de cima eu nem tinha o reconhecido).

O segundo da minha listinha é o “Paizão“…

Gustavo Tavernini é o típico “paizão”, no circuito ele é responsável por Federico Delbonis, mas acaba que muitas vezes ele é o “babá” do Facundo Bagnis (a fofura argentina em pessoa). Não que o Martin Vassalo Arguello não faça seu trabalho, mas é que o estilo é outro. Gustavo é um boa praça, muito cuidadoso com todo mundo a sua volta, inclusive com esta vos fala.

Foto: Inovafoto

Foto: Inovafoto – Gustavo é o careca da foto

Ele é um senhor, tipo os amigos do meu pai. Divertido, conhece muito de esporte e tem um “programa” – sistema de treinamento – muito interessante. Em todas as sessões de treinamento ele treina um a um os golpes com o Delbonis e faz uma série alternada de golpes, que tem uma dinâmica interesse , pois ele condiciona o Fede a pensar em pontos críticos da partida e depois diz se a decisão foi completamente acertada ou não, dependendo do estilo de um possível adversário.

Delbonis tem um ritual antes e outro depois da partida, que envolve a parte física e o Gustavo cuida para que tudo ocorra bem. Eles não assumem a mania, mas o Fede faz academia uma hora antes, mais ou menos do horário estipulado pro jogo, faltando uma meia hora ele se isola na área reservada aos jogadores e faz a parte final de seu alongamento e aquecimento.

Depois dos jogos o Delbonis não gosta muito do contato com a imprensa, mas é obrigado (risos). Gustavo  sai com ele e depois da zona mista, o ‘recebe’ na entrada do vestiário, todo santo jogo com uma garrafa de água na mão e sempre dá a informação do massagista. Ex: “Fulano está lá e você tem 15 minutos para tomar banho e ir” ou “Não tem ninguém lá, mas sicrano está marcado”, etc.

Durante os jogos o Gustavo procura estar atento sempre a seu jogador. Federico fala muito em quadra, fala sozinho, com o Gustavo, mas como as regras não permitem, o treinador assente com a cabeça e quando o Fede faz algo que ele não gosta ele faz cara de “pai bravo”. (risos)

Eu fiz uma reportagem especial com o Gustavo lá no Tênis News para falar deste trabalho de mais de 13 anos com o Fede, ele é o único responsável pelo processo de jogo agressivo do rapaz. Que ler? Clica aqui!

Vamos seguir com os argentinos: Martín Vassallo Arguello, a quem apelidei de “Woodstock“…

Martín Vassallo Argüello é o roqueiro que não deu certo…

eEu não preciso explicar o “roqueiro que não deu certo”, né?

Pois bem, o Martín é um cara que largou o circuito tem uns dois ou três anos, mas é o tipo de pessoa que não sabe muito ficar fora dele. Daí, como o corpo não aguentava mais a competição, decidiu aceitar os convites para ser comentarista e também treinador.

Isso mesmo. Ele faz as duas coisas (nós conhecemos brasileiros que fazem as duas coisas… ), mas ele faz a coisa bem. As duas coisas, diga-se de passagem.

Como eu disse lá em cima, o Martín trabalha com o Facundo Bagnis, que foi a grande surpresa do Rio Open, vocês se lembram, né? Então, esse foco todo no adversário e seu jogo, que o Bagnis tem, tem a ver com o programa de treinos do Argüello

Em treinos ele é exigente, para movimentos, jogadas fala muita coisa, anota mais coisa ainda. Ele sempre tem o que dizer, onde melhorar. Ele me lembra o Luiz Felipe Scolari. O técnico da seleção brasileira é mestre em parar jogadas, refazer gestos dos jogadores para dar efeitos de jogadas. Tudo igual o Martín.  (risos)

Argüello lembra muito meus amigos músicos, de vez em quando ele para e fica olhando pro nada e aí ele ri do nada. Fiquei esperando o momento em que ele pegaria um papel para escrever a música ou a partitura. Juro!

Em jogos ele é o tipo do treinador discreto. Na semifinal de duplas ele ficava “reparando” na torcida e apontava pessoas pra um cara que estava com ele.

Texto ENORME! Eu trago outros na próxima postagem.

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