O campeão voltou?

Eu ouvi a expressão “O Campeão Voltou” na última quinta-feira quando o jornalista Patrick Winkler comentou na rádio Bradesco Esportes FM, o que as redes sociais falavam sobre o ouro de Cesar Cielo nos 50 m borboleta com o tempo de 23s01, que foi ruim porque se nadou a baixo que isso nas semifinais da prova e porque foi o quinto melhor tempo da carreira do Cesão.

Cesar Cielo

Na hora eu me perguntei: “O campeão voltou?” e na mesma hora respondi: “Não, ele não voltou”. E a partir daí comecei a pensar nesse “não” tão repentino. As explicações eram muitas, nenhuma delas convenceria alguém que nunca entrou em uma piscina. Neste caso, não eram razões tão claras assim.

Desisti de pensar e vi o segundo ouro do Cesão – A definição do tricampeonato mundial dos 50m livres com 21s32. Melhor tempo da história sem os trajes tecnológicos, dois centésimos abaixo do melhor tempo até então, que era o recorde do atual campeão olímpico da prova o francês Florent Manaudou (NADA MUITO!).

Aí veio a segunda emoção do Cesão em Barcelona, seu segundo pódio, sua segunda medalha dourada e o segundo choro ao som do Hino Nacional do Brasil. Ali eu percebi o motivo real do meu “não” a pergunta: “Não existe ex-campeão de coisa alguma. Uma vez campeão, sempre campeão”.

Aí lembrei a frase do Usain Bolt em Londres: “um campeão não ressurge, ele se reinventa” e depois me veio a voz do campeão olímpico da esgrima na espada (Pequim 2008), o italiano Matteo Tagliariol,  dizendo: “Só se deixa de ser campeão, quando competir e lutar não emociona”.

Emoção nunca faltou pro Cesão. Desde os tempos de juvenil ao ouro olímpico, em que pouca gente fora do mundo da natação sabia quem ele era.

Cesão é um cara de recordes, muita competência, dedicação, grandes prêmios e todos os méritos e vitórias. E como todo campeão, em nossa cultura, é martirizado, desprezado e criticado quando não é o melhor, mas sim o segundo ou o terceiro, no meio de um “mar” de atletas não menos dedicados, competentes e cheios de méritos.

Lembro do processo de anti-doping em 2011 no qual ele, Nicholas Santos, Vinícius Waked e Henrique Barbosa foram pegos por terem furosemida identificada nos testes de sangue do Troféu Maria Lenk (o Brasileirão das piscinas). Lembro-me de como eles foram julgados por quem, ao máximo, dedicou um minuto de sua vida a natação celebrando o ouro do Cesão três anos antes.

A WADA (Agência Internacional Anti-doping) por meio do seu tribunal inocentou o Cesar. Se quem entende de doping o julgou inocente, acho que o assunto acaba aqui, não?

E eu ainda tive que ler um tweet na quinta: “Voltou! Nosso campeão dopado”. Foi devidamente ignorado, mas ficou registrado, infelizmente!

Cielo se emocionou ali ao ser preterido e condenado por parte da opinião pública sem poder se defender. Ele se emocionou com a derrota para Manaudou em Londres, mesmo triste (pressionado e criticado) teve a emoção da gratidão de poder ter um bronze olímpico no peito.

Definitivamente o campeão não voltou. O Brasil simplesmente relembrou que ele existe e isso é muito triste.

PARABÉNS CESÃO!!! #TamoJuntoSempre

Foto: Satiro Sodré da SS Press, que cobriu o Mundial de Esportes Aquáticos e Barcelona.

E antes que eu me esqueça: Perdeu Mengão! =P

Ariane Ferreira

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