Marcelo Ríos: Nove anos sem a mágica do canhoto chinês-sulamericano

Hoje completa-se, oficialmente, nove anos da aposentadoria de um dos grandes mágicos do tênis que vi jogar (lógico!), o chileno Marcelo Ríos, ou Chino pra gente que é mais chegado, rs

Quando você abre o perfil do Marcelo na ATP a primeira frase que surge é:

“Por 10 anos, Marcelo Ríos foi brilhante e artístico, mas com uma aura misteriosa”.

Acho que nem nos meus dias mais inspirados eu definiria o Chino assim, com tanta propriedade e sobriedade.  Aplausos para o Simon ou quem quer que tenha sido o responsável por isso.  Clap clap clap

Essa tal “aura misteriosa” muita gente chama de arrogância. Eu sei lá, com o talento que esse cara tem (ele não desaprendeu a jogar), ele até tinha o direito de ser marrento (e como era), só não podia ser sem educação, como muitas vezes foi.

Entretanto, eu não estou aqui para falar do Marcelo fora de quadra. Nunca estou “aí” pra isso, e digo mais: Sou mais um marrento mal educado real, do que um queridinho fake. #ficaadica Circuito!!

Marcelo Ríos

Marcelo Ríos

O Chino se aposentou muito cedo, cedo demais, aos 28 anos.

Em 2004 ele jogou o Challenger de São Luiz de Potosi no México, caiu na segunda rodada, pois, abandonou a partida machucado, isso em abril. Aí em 16 de julho de 2004 convocou a imprensa chilena pra informar que se aposentaria.  Triste dia.

Bom, vamos falar de tênis: o Marcelo é daqueles caras que olha na “furquilha” (lá mesmo) e põe a bola lá. É surreal! Por conta disto, muita gente o chamava de “Mago Chino”. No fim da década de 1990, ele e o Fabrice Santoro (mais para o francês, pra mim) “brigavam” para ver quem fazia o golpe mais bonito do torneio

Devia ser tenso jogar contra eles. Pai Nosso!

Nada, absolutamente nada, supera esse smash sentado que ele aplicou no Andre Agassi. Tanto que o Agassi cita o golpe na biografia dele.

Se já viu, reveja. Caso contrário, pasmem!

Alguns detalhes sobre esse canhoto da bela Santiago do Chile: Chino foi o primeiro sul-americano a chegar ao topo do ranking masculino em 1998.

Ponto negativo: Marcelo foi a Caroline Wozniacki da ATP, liderou sem ter vencido um Slam.

Quer saber de uma? E o Marcelo não ganhou um Slam, assim como o Nalbandian. Que pena para os torneios do Grand Slam!

E TENHO DITO! (rá)

A chance do Chino vencer um Slam veio até, naquele ano inclusive (meses antes) na final do Australian Open de 1998, mas parou diante do tcheco Petr Korda. Ele inclusive é um dos grandes rivais dele no circuito. Em oito confrontos, quatro vitórias pra cada um. Na sequência do ano, Chino ganhou os Masters (na época Masters Series) de Indian Wells e Miami.

Este último pra cima do Andre Agassi, que apesar de estar em casa (Estados Unidos), estava em Miami, onde a torcida era toda latina. Em uma época em que os Masters Series eram decididos em melhor de cinco sets, Ríos mandou 7/5 6/3 6/2 e virou o número um do mundo por seis semanas. Veja essa final na integra!

Saibrista de primeira linha, todo mundo tinha fé de que ele venceria Roland Garros aquele ano, mas parou nas quartas diante de outro grande rival, o espanhol Carlos Moyá, que sagrou-se campeão e chegou ao topo do ranking (falo disso um dia). Com o Charly 5/2 a favor do espanhol no confronto direto.

Outro espanhol que infernizou a vida do Ríos e vice-versa foi o Alex Corretja.  Confronto direto? 5×5 .

Esse jogo era bom. Dava briga, bate boca e muito: “Ah você bateu a bola torta. Foi fora!” 

Decidiram uma vez, o Masters de Monte Carlo 1997, Ríos venceu.

Aliás, de Masters Series Ríos tem quatro: Além de Monte Carlo, Indian Wells e Miami, já citados, ele tem Roma 1998 que ele bateu o Guga com direito a pneu, Hamburgo 1999 que ele bateu o argentino Mariano Zabaleta, em uma final com a cara deles, cheia de palavrão e caras sérias. Um bravinho com o outro na maior viadagem (risos). 

Ah! Eles se dão super bem, se é que o Marcelo se dá super bem com alguém.

No confronto direto com Mariano 4/3 para o argentino.  Outros grandes rivais dele foram o alemão Tommy Haas 4/3 para o Marcelo e o russo que tem vantagem de 6/2, Yevgeny Kafelnikov.

Eu não posso deixar de citar a infartante decisão do ouro do Pan-Americano de Santo Domingo em 2003. Aquele era o último jogo da carreira do Fernando Meligeni, todo mundo acreditava que o Ríos ia passear, afinal a quadra era rápida, vantagem pro Chino, que nunca tinha perdido do Fininho, tinha 4/0 em confrontos diretos. Só que aí… 5/7 7/6 7/6, em pontos alucinantes …

COISA DE DOIDO!

OURO DO FININHO!

Sempre conto que quase morri. Acho que todo mundo, né? (Que Deus abençoe Ivan Macedo por colocar esse jogaço de MUITA RAÇA, na internet)

Bom, eu sinto falta da marra do Chino, mas principalmente, sinto falta do tênis que ele jogava.

Este ano cogitei juntar uma grana pra vê-lo na exibição com o Guillermo  Coria em uma mina no Chile (imagina se a gente fica preso lá embaixo?). Mas me parece que as coisas desaceleraram para acontecer este ano. Meu bolso agradece!

O que eu sei é que caras com o talento desse aí fazem uma falta danada, ainda mais em tempos em que o tênis é força e físico. Marcelo, no atual circuito não teria sobrevivido cinco anos. Na época dele – tá certo que os Masters eram mais desgastantes – Chino já abandonava e desistia muito de partidas, deu um título assim para o Guga, Monte Carlo 1999. Imagina neste grau de exigência que temos?

Forte ele sempre foi, só não era muito resistente. (eu sei, parece estranho).

Matei saudades.

Chino

Chino

É isso!

Ariane Ferreira

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