A Espanha não passou no teste final

A tão esperada final da Copa das Confederações entre Brasil e Espanha não era somente o embate do sonho da torcida brasileira ou da FIFA, já que do ponto de vista midiático o confronto seria mais que um sonho.

A partida era um sonho para essa vitoriosa e histórica geração ibérica. O futebol brasileiro, que tanto inspirou o tique-taca espanhol, era o rival a ser superado. O único grande que nunca havia sido enfrentado de frente.

Esse era o espirito que se observava na delegação espanhola e principalmente na imprensa. Tenho muitos colegas e posso dizer que fiz alguns bons amigos na imprensa espanhola, então minha observação é meio que pela ótica deles, inclusive por motivos profissionais. Mas o melhor desta observação é que entre amigos tudo é dito, ou pelo menos é o conceito de amizade e eu ouvi muito: “Quando a gente enfrentar o Brasil” e “Vamos pôr nosso talento a prova”, antes do torneio começar.

Desde o sorteio da chave, onde a Itália ficou no grupo do Brasil, escuto, recebo e-mail e até leio sobre o desenho desta final.

Foto - AFP Casillas beija gramado após gol de Neymar

Foto – AFP
Casillas beija gramado após gol de Neymar

Parênteses: Essa conversa vem de antes do mundial na África do Sul, na Copa da Confederações de 2009, mas ganhou força na Copa do Mundo, onde as chaves indicavam que Brasil e Espanha poderiam fazer uma final, onde o Brasil pentacampeão, que levou Copa América e Copa das Confederações (2007 e 2009), contra a Espanha que jogava magicamente e vinha com o título da Eurocopa (2008). Não deu. A Holanda, vice-campeã na África, não deixou.

O torneio começou. A Espanha não tinha ninguém para lhe fazer frente além do Uruguai. A Celeste olímpica veio, a exemplo da ‘Furia’ com o mesmo time do Mundial, mas simplesmente não viu a cor da bola em Recife, achou um gol em uma cobrança de falta brilhante de Luiz Suarez e nada mais fez.

Um dia antes, na abertura, o Brasil deu de três no Japão. Jogou até bem, é verdade, mas não um futebol para animar qualquer torcedor local, que dirá fazer os olhos dos analistas estrangeiros brilharem.

O torneio seguiu. A Espanha não enfrentou ninguém (que me desculpem os amigos nigerianos que leem esse blog), arrumou problemas no Brasil, teria dado festas, criou aversão a imprensa local e seguiu a vida. No mata, a Espanha travou diante do competente meio de campo italiano. Aqueles 120 minutos e 12 pênaltis batidos deram um recado ao mundo: “A Espanha não é imbatível”.

O Brasil, por sua vez, jogou capengando (é bom que se diga). O time de Luiz Felipe Scolari foi melhorando, até fez um bom jogo contra a Itália (apesar de ter encontrado uns gols) e contra o Uruguai deu sorte, muita sorte eu diria.

Para o enfrentamento Verde/Amarelo x Vermelho/Amarelo foram anos de espera, quatro para ser mais específica, mas chegou. Ele não teria graça se fosse um amistoso, a ideia é que fosse um jogo pra valer. E foi: Final de torneio importante, com o selo FIFA e em um palco sagrado (sagradíssimo eu diria).

A Espanha, a mais jovem em termos de brilhantismo de futebol, das campeãs mundiais estava de frente com sua ‘mentora intelectual’. Mesmo o Brasil de Felipão não sendo o mesmo de 1958, 62, 66, 70 ou 82, a mítica camisa amarela estava do outro lado e superá-la era provar a superioridade de “la Roja”.

No Maracanã os colegas espanhóis não esconderam a alegria pelo confronto. Eles são uma imprensa diferente da nossa. O nível de exigência deles também é diferente (isso em relação a todos os esportes, posso dizer). Ao contrário de nós aqui no Brasil, eles exaltam o país antes de qualquer coisa (mas eu discuto isso depois). Vestidos com a camisa de sua seleção, prepararam programas ao vivo (TV, rádio e web), tuitaram e viveram essa final de maneira muito especial.

Foto - AFP A raça do implacável (e leal) Luiz Gustavo.

Foto – AFP
A raça do implacável (e leal) Luiz Gustavo.

Em campo, a Espanha não encontrou a marcação italiana, mas encarou a vontade brasileira e o diferencial dos nossos jogadores, o improviso.

O Brasil do Felipão jogou com o “chutão”, que faltou na semifinal e deu a Edinson Cavani um gol, “com o coração”, como definiu Scolari, e encontrou um momento feliz de seus 11 titulares e dos 3 reservas que entraram. Brasil tocou a bola com a alegria de outrora e reprovou a Espanha no vestibular do futebol.

Mas você caro leitor deve estar se perguntando: “Vestibular do futebol? Você está doida?”. Não estou não. É assim que muitos analistas de futebol na Espanha viam a partida.

Não dá pra dizer que foi 4×0 (somo aqui a defesa incrível do David Luiz) fora o baile. Entretanto, dá pra dizer que o Brasil jogou como Brasil (redundante assim mesmo) e a Espanha até jogou como Espanha atual (em algum tempo).

Como saldo é possível dizer mais do que nunca que camisa e história entram em campo. Haja vista Itália e Uruguai neste torneio.

Parafraseando Galvão Bueno: “É TETRA! É TETRA!”

Foto - Pablo García Jogadores após a reprovação no vestibular do Futebol

Foto – Pablo García
Jogadores espanhóis após a reprovação no vestibular do Futebol

Ariane Ferreira

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